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Tardes de Quinta no Museu

Manuel Pereira de Brito, irmão da Ordem Terceira de São Francisco e pintor da vila da Covilhã

com Maria do Carmo Raminhas Mendes
Doutorada em História de Arte, Investigadora e
Professora Auxiliar da Faculdade de Artes e Letras da UBI

 

26 de abril de 2018 (16h00) | Real Fábrica Veiga (Auditório)

 

Sinopse

A vila da Covilhã na Idade Moderna caracterizou-se por ser, enquanto centro emergente da manufactura dos lanifícios, um dos locais onde o movimento catequético tridentino se fez particularmente sentir. Após 1668 iniciou-se a ocupação das dioceses do reino e do Ultramar, depois de um longo período de sede vacante: para a diocese da Guarda, um bispado de importância intermédia no contexto eclesiástico nacional, foram nomeados bispos que, no contexto do Barroco português, foram destacados promotores das novas linguagens visuais que procuraram inculcar nas gentes o espírito de Trento.

Neste contexto, a então vila da Covilhã destacou-se como uma das sedes de arciprestado onde os reformados programas imagéticos foram aplicados de forma estratégica, pela mão de bispos que se assumiram como pastores e cujo principal intento foi unir o rebanho na verdade da fé católica. Nesta conjuntura, a vila da Covilhã foi destino de pintores, escultores, entalhadores que aqui desenvolveram actividade, incrementando um mercado artístico para o qual muito contribuiu a estabilidade económica promovida pelas manufaturas e a necessidade de afirmação da fé católica, num local onde grande parte da população era cristã-nova.

O pintor Manuel Pereira de Brito inscreve-se neste tempo: natural da freguesia de São Pedro da vila de Oliveira do Conde, no bispado de Viseu, chegou à Covilhã no último quartel do século XVII, estabelecendo residência na freguesia de São Vicente da vila. Pintor de bitola mediana, a sua atividade implicava pintura e douramento, e pela análise da documentação remanescente atingiu considerávelstatus social, alimentado também por uma religiosidade fervorosa enquanto irmão da Ordem Terceira de São Francisco. Manteve-se consideravelmente ativo até cerca de uma década antes da sua morte, a 27 de Dezembro de 1723.

Para além de toda uma conjuntura sui generis que a Covilhã e a diocese da Guarda apresentaram nestes tempos, o pintor Manuel Pereira de Brito e a sua obra são exemplos paradigmáticos de como Trento chegou a todo o mundo católico, pela mão de pintores que materializaram a sua mensagem em catequeses visuais que se gravaram, de forma indelével, no âmago das gentes.

 

Nota Biográfica

Maria do Carmo Raminhas Mendes é licenciada em Artes Plásticas - Pintura (2002), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Mestre em Arte, Património e Teoria do Restauro (2010), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Doutora em História, na especialidade de História da Arte (2016), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Os seus interesses de investigação centram-se no estudo da cultura visual da Idade Moderna, centrando-se na Emblemática dos séculos XVI e XVII, na pintura dos séculos XVII e XVIII e no mecenato episcopal. Desenvolve também estudos no âmbito da Neuroestética e da Neurociência da Emoção.
É co-autora do livro "O tecto do Salão dos Continentes na Casa das Morgadas e a pintura na Covilhã no início do século XVIII" (Covilhã, 2016), assim como autora de vários artigos científicos.
É professora auxiliar convidada na Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior e membro da Association GRHAM - Groupe de Recherche en Histoire de l´Art Moderne (XVIIe-XVIIIe siècles), Université Paris 4 - Paris-Sorbonne.

Ver Cartaz


Local
Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior
Núcleo da Real Fábrica Veiga / Centro de Interpretação dos Lanifícios (Auditório)
Calçada do Biribau, s/n (ao Parque da Goldra), 6201-001 Covilhã -- Portugal
GPS: 40º 16' 37" N 7º 30' 29" W 

Tel.: 275 241 411 / 410 | E-mail: muslan@ubi.pt

Data
26 de abril (quinta-feira) | 16h00

Acesso
Entrada livre e gratuita